OBJECTO DO MÊS / MAIO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jarra de vidro opalino,

meados do séc. XVIII, modelo “Albarrada”.

N.º. de inventário – VD-30

 

Jarra de vidro opalino, de tom ligeiramente azulado, com pintura polícroma floral no bojo a esmalte (grande flor de cinco pontos que organiza o espaço, de cujas pontas saem outras flores, uma das quais se desenvolve no colo da jarra). Bordo e pé ponteados a azul. O fabrico revela cruzamento de influências ibéricas ou mediterrânicas (albarrada), técnicas do Norte da Bóemia e motivos levantinos (Valência)

 

 

 

 

 

Os vidros da colecção do Museu Nogueira da Silva (…) revelam uma predominância do vidro barroco e neoclássico, espécimes situados entre os inícios do século XVIII e o primeiro quartel do século XIX, e ainda outros que receberam influências românticas e revivalistas. Dominam claramente os vidros de mesa e os serviços mais ou menos completos (…) relacionados com os ambientes domésticos das salas de jantar e de convívio das aristocracias de sangue e de dinheiro (…)

Para além dos vidros incolores predominam os vidros opalinos brancos (…) O enfoque sobre o opalino constitui (…) o resultado da produção setecentista ocorrida nas principais unidades vidreiras, numa época em que se procura concorrer e imitar o desenvolvimento da indústria de porcelana. (…) Sobre esta porcelana imitada pintam-se cenas galantes, figuras grotescas, paisagens, ruínas, os “vedute”, motivos alegóricos das estações e dos continentes, revelando para além do exotismo, algum enciclopedismo, motivos piedosos, (…)

No entanto, como a maioria dos vidros setecentistas desta colecção não se encontram identificados, nem pelos fornos, nem pelos artífices, nem pelos países produtores (…) apenas podemos aproximarmo-nos de uma análise mais objectiva, tentando identificar as tecnologias e modelos de fabrico e reportarmo-nos aos grandes e pequenos centros conhecidos (ingleses, boémios, castelhanos, valencianos, portugueses). (…)

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Jorge Custódio

In Um olhar sobre os vidros do Museu Nogueira da Silva, Museu Nogueira/Universidade do Minho, Braga, 2002