OBJECTO DO MÊS / MAIO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Doação de Maria Antónia de Carvalho Mendes Ribeiro ao MNS.

 

Nasceu na cidade do Porto, a 17 de agosto de 1936, faleceu a 03 de janeiro de 2019. Foi Licenciada em Biologia pela Universidade de Coimbra. Poetisa com vários livros editados. Além da poesia dedicou-se também à fotografia e à pintura tendo produzido muitos trabalhos. Foi membro da Associação de Escritores Portugueses e da Associação do Idioma e Culturas em Português.

 

Serviço de Mesa produzido região de Limoges em França, cerca de 1890. Manufatura William Guérin (1870-1932). O serviço composto por pratos de sopa,

raso e sobremesa, terrinas, travessas e taças, apresenta uma elegante decoração

de estilo neo-rocaille, com delicados arranjos florais em anil e lilás, interligados com curvas e ondulações, em dourado, inspiradas na natureza. A superficie de base possui subtis ondulações que dialogam com os motivos marinhos (conchas e algas), numa suave volumetria que evidencia as qualidades etéreas da porcelana.

Da doação faz também parte, um par de pitorescas gravuras assinadas por José Relvas (1858-1929), pioneiro da fotografia. (Em exposição na Sala Jorge Barradas,1.º piso)

 

Mosaico assinado por António Lino e datado de 1966.

[Larg. 448cm X Alt. 243cm]

 

“(…) Mosaico modernista da auto-ria de António Lino (1914-1996), obra de expressão arcaizante, homenagem à antiguidade da cidade de Braga.

A composição é estruturada por campos rectangulares que enquadram e separam três momentos da vida da cidade, todos relacionados com a sua vocação difusora da religião católica, cada um dos quais com legendas, simulando uma retórica medieval.

A primeira imagem, encimada pela inscrição :BRACARA: AUGUSTA:, tem na base, em português moderno mas com grafia arcaizante, o texto NO:SEC.VII:O:ARCEB.DE:BRAGA:S.FRUTUO-SO:CRIA MOSTEIROS E:FUNDA:INSTITUI-ÇÕES:MONÁSTICAS, vendo-se a representação hierática do arcebispo num trono e, ao lado, personagens do alto clero contra um fundo de casas religiosas e um inesperado céu decorativamente estrelado.

Na segunda imagem ergue-se um arcebispo segurando na mão esquerda o báculo e na direita o edifício da Sé de Braga, tendo inscrito na base NO:SEC XI:D.PEDRO SAGRA:A ACTUAL:SE METROPO-LITA.

A terceira imagem tem no topo a inscrição :CIVITAS:ARCHIEPISC/. e na base D.TERESA:E:D.HENRIQUE:DOAM:BRAGA:AOS:ARCEB (S.XII), vendo-se o conde a entregar as chaves da cidade ao arcebispo, ladeado pela mulher e dois militares nobres.

Com uma dominante de vermelhos profundos e amarelos dourados, em contraste com azuis e roxos, o mosaico faz contraponto a uma cenográfica escada helicoidal, com inesperados balaústres de vidro transparente e corrimãos dourados. (…)”

Paulo Henriques*

 

Para ampliar a sua casa em meados dos anos sessenta, António Nogueira da Silva escolheu os arquitetos Raul Rodrigues Lima para o projeto do edifício, Jorge Segurado para o plano do jardim e um conjunto de artistas seus contemporâneos: Fred Kradolfer para a pintura do teto do salão nobre e para a execução dos elementos decorativos das fachadas; Jorge Barradas para a realização de painéis de azulejos e esculturas para o jardim e António Lino para o mosaico da entrada principal.

As suas obras imprimiram o cunho modernista desta casa, no fulgor das cores, no brilho dos dourados e na elegância anti-naturalista das esculturas, num compromisso com a tradição dos elementos clássicos usados na fachada e no jardim e dos próprios temas encomendados. Temas que remetem para a forte ligação da cidade de Braga à Igreja, para a fundação da nacionalidade, para as festas populares, bem ao gosto do espírito da época.

 

* HENRIQUES, Paulo, 2012, “Jorge Barradas no Museu Nogueira da Silva”, Braga, Museu Nogueira da Silva/Universidade do Minho.