OBJECTO DO MÊS / JUNHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRATO DE OFERENDAS,

do tipo de Nuremberga, finais séc. XV/início séc. XVI, de latão cinzelado com relevos representando ao centro Agnus Dei a suster a cruz ou o estandarte da Ressurreição e o cálice a recolher o sangue que jorra do seu peito.

 

(Agnus Dei é uma expressão latina que significa Cordeiro de Deus. O nome Agnus Dei, terá sido dado a pequenos discos de cera impressos com a figura do cordeiro e abençoados pelo Papa. O cordeiro era geralmente representado com a cruz ou a bandeira, e no verso, impressas as figuras de santos ou as armas do Papa. E eram utilizados à volta do pescoço como objectos de devoção)

 

Diâmetro – 40,9 cm

DIV-250

 

 

 

 

 

 

(...) O objecto litúrgico, como complemento e agente das celebrações religiosas, constitui uma parte essencial do património móvel da Igreja. Estas peças estavam vinculadas ao auxílio das cerimónias religiosas. Na documentação coeva, estes pratos são denominados como “bacia d’oferta” ou “bacia per a oferta”. Como o nome indica, seriam utilizados para o peditório realizado na igreja depois da celebração religiosa. Nas Constituições Sinodais do Bispado do Porto de 1541, é referido “o bacio de oferta” como um ornamento que devia haver nas igrejas, pelo que era necessário, que houvesse um em cada igreja e mosteiro do bispado do Porto. A segunda Misericórdia de Viana de Foz do Lima, fundada em meados de 1521, tal como muitas outras confrarias, fazia peditórios. Estas instituições tinham confrades que efectuavam a colecta. (…) estes peditórios podiam realizar-se nas igrejas, quando se realizavam as missas, ou pelas freguesias. Os peditórios efectuados nas suas igrejas e capelas realizavam-se todas as quartas-feiras e domingos. Nas outras igrejas, realizava-se apenas ao domingo. (…)

Os pratos para oferta eram os recipientes, nos quais se colocavam a quantidade de dinheiro (..). Mas teriam muitos outros usos, a atestar pelos motivos decorativos, forma, utilização evidente e as perfurações que aparecem nos bordos da aba ou os ganchos no verso dos pratos.  (…) estes pratos eram oferecidos às igrejas como prova de devoção, posteriormente empregues no serviço profano, servindo nas merendas dos clérigos. Outros autores mencionam que de início serviram para neles se lavarem as mãos, após as refeições, depois serviram para a Extrema-unção, baptismos, sangrias e lavagens.  (…) Os temas presentes nestes pratos são, normalmente, a Anunciação ou a Tentação e o Pecado Original de Adão e Eva no Paraíso (…) Este tipo de peças foi realizado em metais não nobres, como o bronze e o latão (…)

(...) O uso civil, correspondente à decoração com escudos heráldicos e devido às perfurações nos bordos poderiam também ter servido como balanças. (…) no século XIV este tipo de objectos começa a aparecer nas maiores e mais sumptuosas cortes europeias. Nos banquetes das cortes medievais, era costume ter nos aparadores objectos em prata ou cobre ou latão ou, possivelmente, em bronze. A burguesia endinheirada estava decidida a aderir à moda de exibir louças de prestígio, mas como o ouro e a prata não estavam ao seu alcance, optaram por materiais de menor preço, sendo o desenho e a decoração menos elaborados (…)

Relativamente à sua origem, são mencionados numerosos locais, nomeadamente, Dinant, Nuremberga, Espanha, Itália, entre outros.  As nossas relações comerciais com a Flandres e a Alemanha vão levar à importação destas peças, sobretudo, durante o reinado de D. Manuel I, (...) A Feira de Medina del Campo, uma das mais importantes da  Península, foi um centro de venda, compra e distribuição de obras  artísticas, inclusivé, pratos e bandejas de Dinant ou Nuremberga. 

 

Joana Preciosa Branco Martins

 

In Pratos e Bacias de latão dos Séculos XVI-XVI de temática religiosa da Casa Museu Guerra Junqueiro – Dissertação de Mestrado em História de Arte Portuguesa 2009/2010 – Faculdade de Letras da Universidade do Porto file:///C:/Users/MNS4/Desktop/Tese%20sobre%20os%20pratos%20de%20nuremberga.pdf