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OBJECTO DO MÊS / DEZEMBRO |
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FUGA PARA O EGIPTO – Círculo de
Sebastian de Llanos y Valdés. Cerca de
1660. Sevilha (?) Depois de 1675. Óleo sobre
madeira PN-195 [59,7cm
X 41,9cm] “A
pintura levanta problemas de identificação. Pela composição geral, fortes
contrastes de claro-escuro e tipos fisionómicos, parece tratar-se de obra
espanhola e mais especificamente sevilhana, podendo-se considerar próxima da
produção de Sebastián de Llanos y Valdés. Efectivamente, o rosto redondo da
Virgem com as pálpebras fechadas aparecem em outras obras do autor, como na Virgem do Rosário de Dublin ou na Santa Catarina de Cádiz (Angulo
Iñiguez, Pintura del siglo XVII,
1971, figs. 265 e 266, respectivamente), enquanto a pose do Menino lembra
ainda os anjos da pintura de Cádiz. Sebastián
de Llanos y Valdés foi um importante pintor dos meados do século XVII em
Sevilha. Na chamada Academia de Murillo, que ele contribuiu para fundar em
1660, Llanos y Valdés ocupou diversos cargos, sempre com a máxima dedicação
(Ceán Bermúdez, Dicionário Histórico,
1800, vol. 3, p. 40-41). Conservam-se deste artista bastantes quadros
assinados entre 1658 e 1675. Cena
do ciclo egípcio da história da
Sagrada Família – ou da infância de Jesus – baseada nos evangelhos apócrifos,
esta pequena pintura de forma octogonal mostra-nos no centro da composição a
Virgem com o Menino nu nos braços, sentada no burro que os leva para o
desterro. S. José, de acordo com o movimento pós-tridentino que tendia à sua
dignificação, ocupa um lugar proeminente na história. De meia idade, ou seja,
nem o velho da tradição medieval, nem o adulto na força da idade que o
barroco hispânico invariavelmente adoptará, o esposo da Virgem mostra, no
primeiro plano à direita, uma pose algo maneirista, um tanto teatral, com a
machada do seu ofício na mão esquerda, enquanto com a direita aponta para
cima, onde o Pai certamente vela pela boa marcha destes acontecimentos. Para
cima estão igualmente voltados os olhos do Menino Jesus. A Virgem considera
pensativamente este discreto diálogo gestual entre o seu marido e o seu
filho. A
zona esquerda, mais clara, manifesta um evidente sentido ascendente,
contrastando com o movimento lateral e lento do grupo da Sagrada Família. Um
anjo adulto com as imensas asas abertas conduz o burro pela trela e
inclina-se reverentemente diante do Menino. Com o braço direito num elegante
gesto que continua o movimento do outro braço, aponta igualmente para a parte
superior da pintura, mas desta vez para o anjinho que às cavalitas numa folha
de palmeira se atarefa a colher tâmaras para a merenda dos divinos viajantes,
numa paragem próxima desta inquieta jornada. À esquerda, um terceiro anjinho
marca o começo deste eixo ascendente. Composição cuidada, a forma octogonal
do pequeno painel foi inteligentemente utilizada para que a atenção do fiel
se concentre na mancha clara do corpo do Menino Jesus, ao centro do profundo
espaço definido pela figura de S. José num primeiro plano muito escuro, pela
palmeira com o anjinho, no plano intermediário e, ao fundo, pela pequena
abertura para um céu aberto.” Luís de Moura Sobral In “Pintura
Estrangeira dos Séculos XVI, XVII e XVIII da Colecção Nogueira da Silva”, Ed.
Museu Nogueira da Silva-Universidade do Minho, 1995. |
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Doação de D. Maria Antónia de Carvalho Mendes
Ribeiro ao MNS. Nasceu
na cidade do Porto, a 17 de agosto de 1936, faleceu a 03 de janeiro de 2019.
Foi Licenciada em Biologia pela Universidade de Coimbra. Poetisa com vários
livros editados. Além da poesia dedicou-se também à fotografia e à pintura
tendo produzido muitos trabalhos. Foi membro da Associação de Escritores
Portugueses e da Associação do Idioma e Culturas em Português. Serviço de
Mesa produzido
região de Limoges em França, cerca de 1890. Manufatura William Guérin
(1870-1932). O serviço composto por pratos de sopa, raso e
sobremesa, terrinas, travessas e taças, apresenta uma elegante decoração de estilo
neo-rocaille, com delicados arranjos florais em anil e lilás, interligados
com curvas e ondulações, em dourado, inspiradas na natureza. A superficie de
base possui subtis ondulações que dialogam com os motivos marinhos (conchas e
algas), numa suave volumetria que evidencia as qualidades etéreas da
porcelana. Da doação
faz também parte, um par de pitorescas gravuras assinadas por José Relvas
(1858-1929), pioneiro da fotografia. (Em exposição na Sala Jorge Barradas,1.º
piso) |
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