OBJECTO DO MÊS / OUTUBRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRATO DE ARANHÕES

faiança, séc. XVII

diâmetro - 39,8cm

CR-180

 

 

 

 

 

Prato rodado, circular, de covo pouco acentuado e aba larga levantada. De faiança com decoração pintada a azul com contornos a vinoso. Fundo decorado com medalhão circular, limitado por filetes concêntricos, representando uma senhora com um pássaro em primeiro plano, rodeado de vegetação e elementos orientais. Aba preenchida com cercadura de "aranhões", com folhas de artemísia alternando com flores estilizadas.

 

(...) A cerâmica acompanhou o Homem desde a Idade da Pedra, tendo nascido para solucionar as necessidades do dia-a-dia, reflecte, como toda a criação humana, os aspectos sociais tornando-se imprescindível como instrumento de estudo para os antropólogos. (…) A história da cerâmica liga-se à descoberta do fogo, mais tarde do torno, que a vai tornar consistente o que não acontecia quando seca ao ar livre; o torno vai permitir a repetição de modelos e depois os vidrados e esmaltes impermeabilizam a peça e favorecem a decoração.

 

(..) As faianças foram coleccionadas desde sempre pelos mais diversos motivos mas, nos anos sessenta, em Portugal eram procuradas gulosamente pelo que tinham de “rural”, pelo que insinuavam de “vida de quinta” (…)

 

Anos depois as mesmas faianças são cobiçadas pela “modernidade” das suas formas e decoração, sobretudo das populares e estimadas pelo que possam ter de “primitivo”, de “puro”, e recuperadas para casas sofisticadas, juntando-se a móveis de vanguarda e mesmo ambientes minimalistas de residências assumidamente urbanas. Os finais de século parecem ter o gosto pelo heterogéneo e só a qualidade é exigível.

 

As faianças da colecção Nogueira da Silva, juntas por uma personalidade de gosto conservador são, por vezes, oriundas de colecções prestigiosas como a do Conde do Ameal que fornecem os magníficos pratos de Aranhões e o par de terrinas de Cifka. (…)

 

César Valença

 

A decoração deste prato de faiança deve-se à influência dos motivos estilísticos da porcelana chinesa que era importada e cujo consumo era destinada às elites. (…) No estilo oriental (…) o centro dos pratos apresenta diversas paisagens bucólicas chinesas com a representação de animais e indivíduos. As abas dividem-se em cartelas, surgindo os primeiros aranhões inspirados nos rolos de papel, folhas de artemísia, leques e cabaças, que imitam com enorme rigor. A par destes elementos figuram também, dentro das cartelas, flores, com os crisântemos, frutos, atis como pêssego e romãs, e zoomorfos, maioritariamente aves. (…)

 

Tânia Manuel Casimiro

 

Bibliografia consultada:

VALENÇA, César, 1998, “Um Olhar sobre a faiança da Colecção Nogueira da Silva”, Revista FORUM 4, Braga, Conselho Cultural/UM.

CASIMIRO, Tânia, 2013, “Faiança portuguesa: datação e evolução crono-estilística”, Revista Portuguesa de Arqueologia, Vol.16