OBJECTO DO MÊS / JUNHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COPO CHATO

Série “Santo António”. Modelo II.

Vidro incolor transparente, pintura polícroma esmaltada com imagem de Santo António e o Menino.

 

Inscrição e data – S. ANTONI . DE . PADVA / 1721

1.° quartel do século XVIII (1721)

Fabrico da Real Fábrica de Vidros de Coina (1719-1747)

Entrada na Colecção em 1965

VD14 (l-11,9xal.11,5)

 

 

 

 

 

(…) A primeira referência que se conhece do fabrico do vidro em Portugal é a data de 1439 em que o Rei D. Afonso V deu o privilégio dessa manufactura a um habitante de Palmela. (…) Em Lisboa no séc. XVI haverá fabricantes de vidro inclusive para lentes de óculos, espelhos e vidraças (…) o fabrico do nosso país destinava-se apenas ao uso comum continuando o vidro de prestígio a ser importado. (…)

(…) Em consequência do primeiro surto das luzes e ainda do Mercantilismo de D. João V, este Rei criou a Fábrica Real de Coina (em 1719). A sua instalação aproveitou os fornos e lenha usados na manufactura vidreira que vinha do séc. XVI, embora viesse a utilizar o carvão mineral a partir de 1735, o que marca a primeira utilização deste tipo de combustível no nosso país (…). Essa manufactura produzia vidraça, espelhos, garrafas de modelos inglês e francês e frascos para diversos usos. Entre os raros vidros de prestígio contavam-se os copos de vidro pintado da série com a frase “Viva D. João V”. Dois desses copos fazem parte do acervo deste Museu, como um outro, com uma gravura de Santo António, igualmente desta colecção e atribuída à mesma manufactura e semelhante ao existente no Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto).* (…)

(…) Na última década da primeira metade do séc. XVIII, a fábrica já em grande declínio, foi concessionada ao irlandês John Beare que a procurou reorganizar. Apesar da sua tenacidade os problemas de combustível e a falta de protecção do Estado provocaram a sua transferência em 1747 para o lugar da Marinha Grande (…) a fábrica de Marinha Grande herdou a experiência e a mão-de-obra originária de Coina. (…)

 

César Valença

In Considerações a partir dos copos da Real Fábrica de vidros de Coina na colecção do Museu Nogueira da Silva –  Forum, n.° 23 e 24, Jan-Jun e Jul-Dez, Universidade do Minho, Braga, 1998