OBJECTO DO MÊS / JUNHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PREGAÇÃO DE SÃO JOÃO BAPTISTA

Autor desconhecido, c. 1750, óleo sobre tela.

 

A proposta de datação radica no facto de estarmos perante uma obra onde a lição italiana se mostra já assumida. Quer a harmonização cromática, quer o tratamento do céu, o sublinhar da figura do Baptista, através da grande árvore que se recorta no intenso azul, ou ainda o desenho vigoroso dos corpos, nos personagens representados seminus, apontam nesse sentido. Só a figura feminina, sentada, escutando a pregação, apresenta, no rosto, marca de um traço mais débil.

Neste ponto, a escola portuguesa parece ter entendido e procurado integrar o espírito de síntese entre o Classicismo e Barroco, alcançando pela pintura italiana dos princípios do século.

Não foi, assim, impunemente, que os artistas nacionais mais em contacto com a produção e para a corte puderam admirar as numerosas obras que, de Itália, vieram embelezar Mafra e outros empreendimentos arquitectónicos, em que o Magnânimo deixou a sua régia marca.

É um facto que só a um nível erudito, logo restrito, tal lição pôde ser apreendida. Porém algo dela passou para além dos círculos da corte e da capital, deixando rastro na evolução da escola nacional, ao longo da segunda metade do século XVIII. Tal pode ser comprovado na obra, entre outros, de Pedro Alexandrino

Inegavelmente conservadora, prolongando durante centúrias a vigência dos mesmos temas, apenas sujeitos a pequenas alterações, a escola portuguesa levou tempo a abrir-se a novos formulários, os quais, uma vez absorvidos passaram a formar parte do património formal a praticar e defender. Por essa razão, o Barroco perdurará, entre nós, até aos alvores do século XIX.

                                                                                                                                              José Alberto Gomes Machado

 

 

 

In “Olhar sobre a Pintura Portuguesa dos Séculos XVI-XVII-XVIII” – Museu Nogueira da Silva – Dezembro 1994

 

 

Doação de D. Maria Antónia de Carvalho Mendes Ribeiro ao MNS.

 

Nasceu na cidade do Porto, a 17 de agosto de 1936, faleceu a 03 de janeiro de 2019. Foi Licenciada em Biologia pela Universidade de Coimbra. Poetisa com vários livros editados. Além da poesia dedicou-se também à fotografia e à pintura tendo produzido muitos trabalhos. Foi membro da Associação de Escritores Portugueses e da Associação do Idioma e Culturas em Português.

 

Serviço de Mesa produzido região de Limoges em França, cerca de 1890. Manufatura William Guérin (1870-1932). O serviço composto por pratos de sopa,

raso e sobremesa, terrinas, travessas e taças, apresenta uma elegante decoração

de estilo neo-rocaille, com delicados arranjos florais em anil e lilás, interligados com curvas e ondulações, em dourado, inspiradas na natureza. A superficie de base possui subtis ondulações que dialogam com os motivos marinhos (conchas e algas), numa suave volumetria que evidencia as qualidades etéreas da porcelana.

Da doação faz também parte, um par de pitorescas gravuras assinadas por José Relvas (1858-1929), pioneiro da fotografia. (Em exposição na Sala Jorge Barradas,1.º piso)