OBJECTO DO MÊS / DEZEMBRO

 

 

 

 

 

 

 

 

NATIVIDADE

E ADORAÇÃO DOS PASTORES

 

Gravura a tinta preta sobre papel, séc. XIX

gravador: Francesco Bartolozzi

Autor: Giovanni Benedetto Castiglione

41,5 x 28 cm

GR-7

 

 

 

 

 

 

Francesco Guiseppe Eligio Bartolozzi nasceu em Florença, supõe-se que em 1725. Seu pai foi o ourives florentino Gaetano Bartolozzi, em cuja oficina Francesco iniciou a sua aprendizagem artística, tendo mais tarde ingressado na Academia de Florença, onde foi discípulo de Ignatio Hugford e de Ferreti, entre outros. Depois de uma estada em Roma, instalou-se em Veneza, em 1745. Aí trabalhou na oficina de Joseph Wagner (1706-1780), um alemão que estudou em Paris, trabalhou em Roma, Bolonha e Inglaterra, e se celebrizou com a divulgação da técnica de ponteado, cuja invenção alguns chegaram a atribuir-lhe. Na sua escola veneziana formaram-se alguns famosos gravadores, dos quais se destacam Flipart e Bartolozzi. Este último trabalhou depois em Milão e, em 1765, passou a viver em Londres, onde iria ser nomeado membro da Royal Academy of Arts, fundada em 1768 sob a alta protecção de Jorge III – o que explica as gravuras de Bartolozzi com alegorias ao monarca inglês. Na Grã Bretanha Bartolozzi tornou-se famoso com a introdução da técnica do ponteado e pelo ensino da arte da gravura, em que teve numerosos alunos, entre eles os portugueses Gregório Francisco de Queiroz, João Caetano Rivara e Francisco Vieira, o Portuense. Por sugestão deste (ao que parece), Bartolozzi acedeu ao convite de D. Rodrigo de Sousa Coutinho e veio para Lisboa em 1802, a fim de dirigir a Aula de Gravura da Impressão Régia. A idade avançada do florentino e a desorganização do ensino lisboeta, bem como a mediocridade do meio, foram causa de que a sua obra em Portugal nem sempre atingisse o nível da realizada anteriormente. Apesar disso, Bartolozzi trabalhou até ao fim da sua vida – a 7 de Março de 1815 – tendo formado alguns dos melhores gravadores portugueses da época, e contribuído notavelmente para a difusão do gosto pela gravura entre nós.

 

(…) os temas mais frequentes na obra de Bartolozzi (…) o retrato, (…) de longe, o tema favorito mais conseguido; temas históricos, mitológicos e religiosos; alegorias; cenas de género. A paisagem encontra-se como elemento acessório, como fundo de muitas gravuras, mas raramente como género individualizado (…)

 

In Desenhos Italianos Gravuras de Bartolozzi: Património da Escola Superior de Belas Artes do Porto e Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – Museu Nacional Soares dos Reis, Porto; 1987.