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Bom Pastor, Séc. XVII, escultura de marfim Indo-Portuguesa.

Descreve a conhecida parábola cristã evangélica do bom pastor (Cristo) que guarda e defende as suas ovelhas (fiéis), procura e traz para o rebanho a ovelha perdida (o pecador).

ES-87 Altura: 9cm Largura: 4,5cm

(…) Conforme testemunhos existentes nas catacumbas romanas, a iconografia cristã surge nos primeiros tempos do cristianismo. A sua progressiva elaboração apoiou-se na ideia de que nada é mais claro ao espírito humano do que as imagens e os símbolos. Antes de se tornarem objectos de culto já representavam o papel de “livros dos iletrados”, suportes materiais esclarecedores das abstracções do discurso teológico, veículos seguros da doutrinação. Transpondo fronteiras linguística, a eficácia da iconografia cristã na pregação silenciosa sustentou o trabalho de cristianização na pregação silenciosa sustentou o trabalho de cristianização dos povos, relatando histórias, etapas dos Evangelhos, vidas de santos, tudo de forma clara e directa. Estruturada dentro deste projecto, não permitia obscuridades ou interpretações subtis: falou com objectividade e clareza. Um gesto, um detalhe ou um simples atributo simbolizam a mensagem proposta pela iconografia. (…) A figuração do Bom Pastor é uma das mais antigas da iconografia cristã. Remonta à fase em que o cristianismo, contestado e perseguido, se esconde nas catacumbas romanas, reinterpretando conhecidas formas helenísticas. (…) Na vitoriosa caminhada do cristianismo enquanto poder, esta doce figura, entre outras, desaparece. (…) Por volta dos séculos XIII e XIV, ao longo de todo o século XV, sob a luz do nascente humanismo, ocorreriam mudanças. O Renascimento faria o esplendor da arte cristã e o movimento político-religioso que foi a Contra-Reforma direccionou a produção iconográfica para rumos diversos: se, por um lado, introduziu temas dramáticos e emocionais, produziu também uma iconografia que retomou a doçura do cristianismo. Dentro deste programa ressurge a figura do Bom Pastor. (…)


In Arte do Marfim, ed. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Porto, 1998

   
   
 


Cristo de marfim indo-português

da segunda metade do século XVIII, com base de madeira ao gosto neoclássico e resplendor em prata.
ES-161 Alt.35,cm Larg. 24 cm

Sereno, dramático, lacerado, trágico, lírico. A trajectória da agonia mostra-O vivo, agonizante e morto; neste último caso, é quase regra encontra-Lo com a cabeça tombada à direita. Segundo a tradição, a fixação da cruz foi orientada para os quatro pontos cardeais. A face tombada à direita indicava a direcção de Roma, de onde surgiria a Sua Igreja. O ângulo de abertura dos braços foi interpretado como mensagem. Abertos na horizontal, simbolizavam a salvação de toda a Cristandade. Nos crucificados onde a abertura é mínima e faz quase um V, de acordo com a doutrina herética jansenista (Cornélio Jansen, 1585-1638), simbolizavam advertência quanto ao reduzido número de predestinados à felicidade eterna.
Verificada a falta de fundamento nesta interpretação, tudo leva a crer que considerações atinentes ao resultado plástico seriam as principais determinantes na angulação dos braços. A coroa de espinhos integrada na cabeça é conhecida desde o século XIII, mas não se torna regra nem mesmo no século XVI, quando é mais frequente. A chaga no peito aberta pelo golpe de lança aparece regularmente à direita. Embora, raras, existem figurações com a chaga no lado esquerdo.
Segundo a tradição, a veste usada por Jesus na crucificação foi o “subligaculum”, espécie de faixa que envolvia rins e coxas, um tipo de calção de uso quotidiano. Na Alta Idade Média, Jesus foi representado vestindo túnica longa, deixando mãos e pés descobertos.
Dentro de pequenas variantes, a veste actual, e que guarda afinidades com o “subligaculum”, é conhecida desde o Renascimento. Nada mais é que uma faixa estreita de pano envolvendo o corpo abaixo da cintura, amarrada à direita. Em casos raros, o laço de acabamento faz-se à esquerda.
O número de cravos que O prendiam à cruz foi, entre todas, a questão que mais dúvidas suscitou. Até ao século XIII, foi regular o uso de quatro cravos – um para casa mão, e um para cada pé -, separados. A partir de então e até ao século XVI, preferiu-se o emprego de três cravos, representando-O com os pés sobrepostos.(…)


In Arte do Marfim, ed. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Porto, 1998

   
   
   
   
   
   

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